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Canal Ligue 180 registra crescimento de 27% nas denúncias e 10% nos atendimentos no primeiro trimestre de 2026

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No primeiro trimestre de 2026, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou aumento de 27% nas denúncias de violência contra mulheres e 10,22% nos atendimentos. No período, foram 301.044 atendimentos e 45.735 denúncias de violência. No mesmo período de 2025, foram contabilizados 273.127 atendimentos e 35.994 denúncias. 

Em janeiro de 2026, foram contabilizados 90.758 atendimentos e 15.575 denúncias, contra 87.407 atendimentos e 12.062 denúncias em janeiro de 2025 – o que representa crescimento de 3,83% nos atendimentos e de 29,13% nas denúncias. 

Em fevereiro de 2026, foram registrados 90.758 atendimentos e 13.191 denúncias, enquanto no mesmo mês do ano anterior os números foram de 80.051 atendimentos e 11.683 denúncias, com altas de 13,38% e 12,90%, respectivamente. 

Já em março de 2026, os atendimentos chegaram a 108.029 e as denúncias a 16.867, superando os 96.431 atendimentos e 13.394 denúncias de março de 2025, o que equivale a um crescimento de 12,02% nos atendimentos e de 25,93% nas denúncias. 

Um recorte específico sobre o período do Carnaval de 2026 aponta que as denúncias de importunação sexual registradas pelo Ligue 180 chegaram a 176. Em 2025, foram registradas 74 denúncias dessa tipificação; em 2024, 6 denúncias. 

“A qualificação dos fluxos de atendimento, a atualização dos protocolos e a ampliação dos canais, como o WhatsApp, têm permitido não apenas aumentar o número de registros, mas também melhorar a qualidade das informações e a efetividade dos encaminhamentos realizados pelo Ligue 180. Cada denúncia que chega ao Ligue 180 é tratada com seriedade, sigilo e responsabilidade. Nosso trabalho é garantir que essa informação se transforme em ação concreta da rede de proteção, para que nenhuma mulher fique sem resposta do Estado”, frisou a coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen dos Santos Costa. 

Os dados indicam a ampliação do acesso aos canais de proteção e a qualificação do atendimento prestado às mulheres em situação de violência em todo o Brasil. O Ministério tem implementado, de forma estruturada e contínua, ações de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres no âmbito do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios (Decreto nº 11.640/2023) e do Programa Mulher Viver sem Violência (Decreto nº 11.431/2023).  

A agenda de proteção se materializa em políticas públicas estruturantes, com destaque para a retomada da expansão da rede de atendimento especializado, com a criação de uma nova sede da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, inaugurado em 2024, com investimentos de R$ 84,4 milhões, cuja execução vai até janeiro de 2027.  

O investimento contempla a ampliação dos canais de atendimento, capacitação das atendentes, incluindo atendimento via WhatsApp, por meio do número (61) 9610-0180, e o atendimento em Libras, por meio de videochamadas. Com a reestruturação, o Ligue 180 passou a ter gestão própria, com aprimoramentos na metodologia de registro e consolidação dos dados, que passaram a ser divulgados em painel específico a partir de novembro de 2024.

 Além do registro de denúncias, o Ligue 180 também presta orientações, fornece informações sobre os direitos das mulheres, indica serviços da rede especializada de atendimento e recebe manifestações sobre o funcionamento desses serviços. O atendimento é sigiloso e gratuito, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana.

Atendimentos em 2025

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 1.088.900 atendimentos em 2025, o que representa uma média de cerca de 3 mil atendimentos diários. Ao longo do ano, foram contabilizadas 155.111 denúncias de violência contra mulheres em território nacional, equivalente a 425 denúncias por dia. Quando comparado a 2024, o canal registrou um crescimento significativo: os atendimentos cresceram 45% (de 750.687 em 2024 para 1.088.900 em 2025), enquanto as denúncias aumentaram 17,4% (de 132.084 em 2024 para 155.111 em 2025). Durante o ano de 2025, 102.770 denúncias foram realizadas pela própria vítima; 26.033 por terceiros; 53 pelo próprio agressor; e 26.237 de forma anônima. 

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Atualmente, 17 estados e o Distrito Federal já assinaram o Acordo de Cooperação Técnica com o objetivo de agilizar o encaminhamento das denúncias recebidas pelo Ligue 180, fortalecendo a integração da rede de proteção às mulheres em todo o país. Considerando todos os canais de atendimento por meio de telefone, WhatsApp, e-mail, entre outros meios, o Ligue 180 realizou 1.049.552 atendimentos em 2025. 

Perfil das vítimas

Entre os registros em que a raça/cor da vítima foi declarada, observa-se que mulheres pretas somam 15.046 denúncias (9,70%), que, somando aos 51.907 (33,46%) casos com mulheres pardas, totalizam 65.520 denúncias com vítimas declaradas negras e pardas, o que representa 42,24% do total de denúncias do ano. Além disso, as mulheres brancas representam 50.474 denúncias, correspondendo a 32,54% do total. Já as mulheres amarelas aparecem em 807 registros (0,52%) e as indígenas em 488 ocorrências (0,31%).

Em relação à faixa etária, os dados apontam maior incidência entre mulheres de 40 a 44 anos, com 15.117 denúncias  (9,75% do total), seguidas pelas de 35 a 39 anos, com 14.594 casos (9,41%), pelas de 30 a 34 anos, com 14.173 denúncias (9,14%) e pelas de 26 a 29 anos, com 13.789 ocorrências (8,89%). Juntas, essas quatro faixas etárias concentram 57.673 denúncias, o equivalente a 37,19% de todas as denúncias registradas pelo Ligue 180 em 2025.

Tipos de violência

Em 2025, foram reportadas 679.058 violações ao Ligue 180, um aumento de 18.5% em relação a 2024, quando foram registradas 573.131 violações. Os tipos de violência mais recorrentes foram a psicológica, com mais de 339 mil violações entre violência doméstica e outras violações; seguido pela violência física com mais de 104 mil violações registradas; 36.938 violações do tipo patrimonial; 20.534 violações de violência sexual, sendo 8.172 casos de importunação sexual; e 2.621 ocorrências de sequestro/cárcere privado. De acordo com a metodologia da Central, uma única denúncia pode conter mais de um tipo de violação.

Violência Vicária  

Dados do Ligue 180 revelam a dimensão alarmante de uma prática que só agora foi formalmente tipificada no país. Em 2025, foram registradas 7.064 denúncias de violência vicária, o que representa 4,55% do total de 155.11 denúncias. Nos três primeiros meses de 2026, já chegaram ao serviço 3.552 ocorrências desse tipo de agressão, que corresponde a 7,77% das 45.735 denúncias de violência. Os números mostram um aumento de 4,55%, em 2025, para 7,77%, no primeiro trimestre de 2026. 

A violência vicária ocorre quando o agressor utiliza filhos, parentes ou pessoas próximas como instrumento para causar sofrimento psicológico à mulher. Diante da gravidade dos números, foi sancionado recentemente pelo presidente Lula o Projeto de Lei nº 3.880/2024, de autoria da deputada federal Laura Carneiro (PSD/RJ). A nova lei altera a Lei Maria da Penha, o Código Penal e a Lei dos Crimes Hediondos para incluir a violência vicária como forma de violência doméstica. 

Perfil dos suspeitos

Os dados revelam que a maioria dos suspeitos mantém ou manteve relação íntima e/ou familiar com a vítima pelo ex-companheiros (as), com 23.504 denúncias (15,15%), e pelos companheiros (as) atuais: 19.070 denúncias (12,29%). 

Local das agressões

O ambiente doméstico continua sendo o cenário predominante. A “casa da vítima” apareceu em 63.225 denúncias (40,76%), acompanhado 44.333 (28,58%) de delação da “casa onde residem vítima e suspeito”, e 8.356 registros na “casa do suspeito”, ou 5,39% do total. Além disso, há também dados sobre casos em ambiente virtual que apontou 4.587 denúncias em via pública (2,96%) e 4.584 registros em ambiente virtual (internet), que representam 2,96% do total. 

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Duração e frequência das agressões

Os dados indicam que muitas mulheres convivem com a violência por longos períodos:

32.435 (20,91%) denúncias relatam violências que duram mais de um ano, 15.740 indicam que as agressões começaram há um mês, correspondendo a 10,15%. Os dados evidenciam que à frequência das agressões é maior diariamente com 49.424 (31,86%); as frequências: ocasionalmente com 26.980 denúncias (17,39%), seguida por única ocorrência com 16.288 registros (10,50%), agressões semanais com 12.561 denúncias (8,10%) e mensais com 2.817 ocorrências (1,82%). Além disso, em 39.367 denúncias não há informação sobre a frequência das violações, percentual que corresponde a 25,38% do total. 

Denúncias regionais

Em 2025, a região Sudeste liderou  as denúncias de violência contra a mulher registradas pelo Ligue 180, somando 73.561 ocorrências – o que representa 47,4% do total nacional. Em seguida aparece o Nordeste, com 28.309 denúncias (18,2%). O Centro-Oeste registrou 17.869 ocorrências (11,5%), seguido pela região Sul, com 15.843 denúncias (10,2%). Por fim, a região Norte contabilizou 9.391 casos, percentual de 6,0% do total. 

Considerando os estados individualmente, os maiores números de denúncias em 2025 foram: São Paulo (SP), com 34.476 ocorrências; Rio de Janeiro (RJ), com 22.757; Minas Gerais (MG), com 13.421; Distrito Federal (DF), com 9.270; Bahia (BA), com 8.549; Rio Grande do Sul (RS), com 6.157; Paraná (PR), com 5.294; Goiás (GO), com 4.972; Pernambuco (PE), com 4.727, e Santa Catarina (SC), com 4.392. Em 2024, o ranking foi semelhante: São Paulo (31.227), Rio de Janeiro (21.528), Minas Gerais (12.815), Bahia (9.090), Rio Grande do Sul (6.153), Pernambuco (4.609), Paraná (4.503), Goiás (4.422), Santa Catarina (4.029) e Ceará (3.383). 

Segregação de informações

Os dados registrados nesse período revelam uma procura expressiva por diferentes temas, com destaque para a Campanha Feminicídio Zero, que lidera os acessos com 90.306 solicitações de informação, evidenciando o impacto e a relevância dessa iniciativa nacional. 

Em seguida, aparecem os conteúdos sobre violência psicológica/psíquica (27.571), medidas protetivas de urgência (24.627), violência física (13.169) e violência moral (10.831). Na sequência, foram registradas demandas sobre ameaça (9.512), violência patrimonial (7.554), Centro de Referência (ou Atendimento) às Mulheres em Situação de Violência (6.293), Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – Deam (5.173) e, por fim, Canais de Acesso à Central de Atendimento – Ligue 180 (4.881). Os números demonstram a capilaridade dos serviços de informação, os temas que mais mobilizam a população em busca de orientação e proteção.

Nova Central e melhoria dos fluxos

Em agosto de 2024, o Ligue 180 inaugurou sua nova central de atendimento, agora totalmente independente da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos. Um investimento de R$ 85 milhões na criação da nova Central de Atendimento à Mulher, ampliando o atendimento, reforçando as equipes e implementando capacitação permanente. Além disso, foi criado um canal de atendimento pelo WhatsApp e com intérpretes de Libras, assegurando o acesso às pessoas surdas. 

Sobre o Ligue 180

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço público e gratuito do Governo do Brasil, coordenado pelo Ministério das Mulheres. Oferece orientação sobre direitos e serviços da Rede de Atendimento à Mulher em situação de violência, em todo o Brasil, além de analisar e encaminhar denúncias aos órgãos competentes.

O canal funciona 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. Está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail [email protected]

Mais informações para a imprensa: (61) 2027-3676 | [email protected]

Fonte: Ministério das Mulheres

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